domingo, 21 de outubro de 2012

EXÍLIO

(para C. VilasBoas)

é como se ainda existisse o exílio
e fosse tirado tudo de mim
é como se eu levasse o tiro
Que foi destinado ao martim.

e o mundo não se importasse com nada,
e não existissem direitos humanos
a tua ausência é a porta fechada
no frio calabouço de amores insanos

é como se ainda existisse o martírio
e fosse acoplado o suplicio em mim
é como se’u fosse o destino de um filho
que não vingou por não ser ruim

e o mundo não se envergonhasse de nada
e não houvesse comoção mundial
a tua ausência é a dor enjaulada
da fera que se assusta no próprio quintal

e o mundo me quisesse mundana
e eu fosse santa, um pagão sem igual
lutando contra uma força tirana
 que mancha meus verdes olhos tachados em jornal


é como se existem negreiros ainda
ferrolhos de pedra humilhando uma irmã
e eu fosse a tarde que finda,
num cruel labirinto de alma malçã

e o mundo não se importasse com nada
e não existissem mais que cores vãs
a anistia fosse não inventada
um tempo de achar doido qualquer coisa sã.

é como se ainda existisse o exílio
e fosse tirado tudo de mim
é como se eu recebesse o tiro
que foi destinado a qualquer querubim.

e o mundo não se importasse com nada
e não existissem direitos humanos
a tua ausência me fosse apunhalada
e não existissem resgates, médicos ou panos
e o mundo não se importasse com nada
e não existisse desejos cristãos
e o mundo não fosse mais que uma parada
um auto-exílio em forma de solidão.
®leoniaoliveira

(all right reserved in ASTROLÁBIO - SONG LYRICS)
(esta música foi publicada  como poema no livro Poemas Mínimos)

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